Mãe… Ser mãe é provavelmente o papel mais difícil que uma mulher pode ter! Ser mãe é ser uma centopeia com mil patas tentando usá-las todas em simultâneo para enfrentar as diferentes...
CLÍNICA
O Grupo ADCA surge como um projeto que visa potenciar a qualidade de vida
numa população específica, como são as crianças e os adolescentes.
Distinguindo-se pelos serviços especializados de que dispõe, é constituída por
uma equipa especializada e multidisciplinar, que pretende garantir o bem-estar
físico e emocional de quem a procura.
A ADCA é um espaço em que o seu filho está em primeiro lugar!
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A minha é melhor que a tua!
Mãe… Ser mãe é provavelmente o papel mais difícil que uma mulher pode ter! Ser mãe é ser uma centopeia com mil patas tentando usá-las todas em simultâneo para enfrentar as diferentes tarefas e desafios que a vida nos trás. Assim como as diversas espécies de animais que conhecemos cada mãe é especial e tem uma forma diferente de se relacionar com o seu filho e de o educar de acordo com as capacidades que adquiriu. E você? Com que animal se identifica? O que acha o seu filho?
As mães Urso são conhecidas pelo seu grande porte, por viverem de forma mais isolada, tal como, cuidarem das suas crias sozinhas defendendo-as com unhas e dentes, podendo inclusive colocar a sua vida em risco. Aqui temos as mães que dão apoio de forma incondicional, estão sempre presentes e os(as) seus(suas) filhos(as) têm sempre as melhores competências e características, ai de quem aponte um defeito/dificuldade que elas deitam “as garras” de fora.
Todos nós reconhecemos que o Coelho é um animal que vive constantemente preocupado com o seu bem-estar e segurança. Se isto é comum na espécie torna-se ainda mais intenso quando têm crias. Ora quem não conhece mães assim? Por exemplo: aquelas mães em que o(a) menino(a) dá um espirro e já está a vestir um casaco e a ver a febre; aquela mãe que quando o deixa com a avó faz uma lista detalhada de todas as coisas da criança!! E quando começam a crescer e as coisas fogem do controlo?! Estas mães revelam-se ainda mais preocupadas.
No seguimento da mãe coelho temos um animal um pouco similar, o Canguru. Todos nós identificamos o canguru como aquele animal que leva a sua cria para todo o lado. Todos conhecemos mães que referem as saudades que têm dos tempos em que podiam levar os filhos para todo o lado. Estas são aquelas mães que acompanham sempre os seus filhos. Contudo, além de acompanhar aos locais são aquelas mães que, por exemplo, no parque estão sempre de volta deles e a chamar a atenção para todos os perigos (mesmo aqueles que só elas vêem!).
Elefante é das mães mais dedicadas, estabelece laços fortes com a sua cria. Carateriza-se por uma prontidão inigualável em acalmar o seu filho, são carinhosas e compassivas. Priorizam a família e têm uma grande capacidade empática, ou seja, de se colocar no lugar do outro e por consequência compreender o seu sofrimento e procurar soluções. Estas são
as mães compreensivas e apaziguadoras, um problema ao pé dela deixa de ser um problema!
O Macaco, este animal vive em grupo sendo que todos os cuidados de proteção e sobrevivência são assegurados pelas mães, uma outra particularidade é que estes animais têm o hábito da catagem que tem como principal função a higiene e o estabelecimento de interação e proximidade entre os animais. Durante esta atividade os animais estão próximos fisicamente e vão desenvolvendo proximidade entre eles. Estas são as mães que adoram mimar os seus filhos, estão sempre a dar abraços e carinho necessitando de um contacto constante.
Papagaio estes animais, conhecidos essencialmente pelas suas capacidades vocais, necessitam de grande cuidado e atenção para manterem padrões comportamentais mais saudáveis falando bastante tempo. Quem não conhece mães que falam pelos «cotovelos»? Aquelas mães que precisam de conversar com os filhos várias vezes ao dia, têm imensas recomendações e sugestões, querem saber de tudo.... E quando não têm esta atenção acabam por se sentir magoadas.
O Cavalo este animal é reconhecido por ser mais libertador e procura dar mais poder e independência desde cedo incentivando o potro a explorar o espaço e território, supervisionando-o com alguma distância. Estas são as mães que vão incentivando constantemente à exploração do mundo procurando distanciar-se da criança, transmitindo-lhe ainda assim muita segurança. São as mães que aguardam calmamente num canto do parque espreitando de sobreolho aqui e ali para verificarem se está tudo bem; são as mães que dão grande incentivo para experienciarem coisas novas e diferentes.
A esta altura estarão as mães a rirem-se e reverem-se numa ou noutra circunstância. É natural! A natureza de uma forma simples desenvolveu estes instintos a cada uma de nós que, face ás nossas vivências, vai evidenciando um ou outra de forma mais intensa. Uma coisa é certa a Mãe protege a sua cria como ninguém, à semelhança de todos os mamíferos. E sem duvida alguma exercem o seu papel na perfeição apesar de todas as possíveis imperfeições. Elas doseiam da melhor forma entre o carinho, a segurança, o amor e o libertar de forma segura para partirem á exploração do mundo, transformando crianças em adultos fortes e seguros. Mas desenganem-se mães, nós não queremos que nos deixem nunca, pois nunca nos sentiremos prontos para caminhar sozinhos. As nossas
mães serão sempre as nossas eternas companheiras e conselheiras, a vida vai-nos afastando fisicamente, mas esta ligação permanece. Esta ligação é tão eterna quanto o tempo que vivermos. Feliz dia dos melhores seres humanos à face da terra, AS MÃES!
Brazelton, T. (1998). O Grande Livro da Criança. Editorial Presença: Lisboa
Papalaia, D., Feldman, R. D., & Olds, S. W. (2001). O mundo da criança. Mc Graw-Hill: Lisboa
Pereira, A. I., Goes, A.R. & Barros, L. (2015). Promoção da parentalidade positiva: intervenções psicológicas com pais de crianças e adolescentes. Coisas de Ler Edições: Lisboa
Sousa, A. (2012). Problemas da Família e da Criança. Edições Almedina: Coimbra
Valente, C (2016). Coaching para pais: estratégias e ferramentas práticas para educar os nossos filhos. A esfera dos Livros: Lisboa.
O Sr. Incrível
Tal como o Sr. Incrível, o Pai é, normalmente, o primeiro herói de uma criança! O pai é o nosso protetor, aquele que é capaz de nos defender de tudo e de todos. É, muitas vezes, a pessoa que...
Tal como o Sr. Incrível, o Pai é, normalmente, o primeiro herói de uma criança! O pai é o nosso protetor, aquele que é capaz de nos defender de tudo e de todos. É, muitas vezes, a pessoa que consideramos mais corajosa. Aquela de quem temos muito orgulho e com quem nos queremos parecer. E, sem dúvida alguma, tem um papel muito importante na educação e crescimento emocional de uma criança. Ele incentiva, encoraja, vai mostrar como é que o mundo funciona e motivar a explorá-lo “sozinhos”. Além disso, tem um papel crucial no estabelecimento de relações com os outros. A primeira relação de confiança e segurança que as crianças estabelecem é com a mãe, sendo o pai a primeira pessoa a mostrar-lhes que também existem outras ligações importantes e seguras. À primeira vista parece que o pai vai romper esta ligação à mãe. Contudo, esta “rutura” é essencial! Mostra, pela primeira vez, à criança que pode confiar noutras pessoas para além da mãe, ajudando a estabelecer outras relações sociais extrafamiliares. Dá-lhes segurança para explorar o mundo e outras relações. O pai é também uma fonte de segurança emocional, faz parte da nossa base segura. E quanto mais segura e forte for esta relação, mais fácil é para a criança se aventurar em novas experiências. Sentirmo-nos protegidos pelo nosso pai é quase uma necessidade básica.
Além da segurança que ele transmite a uma criança é também aquele que parte à aventura connosco, que brinca, que nos faz não ter medo de arriscar e de tentar. É quem nos faz incumprir as regras, mas também quem nos relembra que elas existem. Põem-nos os limites, mas também nos incentiva a explorar e ultrapassar os mesmos. O Pai desafia-nos a desafiar… tira-nos as “rodinhas de apoio” da bicicleta e lança-nos. Coloca-nos no caminho e diz-nos para seguir, estando sempre ao nosso lado para nos proteger. O pai é o nosso piloto. Incentiva-nos a ser cada vez mais e melhores. Incentiva-nos a dar o melhor de nós. Seja qual for o problema ou o desafio, o Sr. Incrível parece ter sempre “a solução”. É criativo, é desenrascado! O pai faz parecer tudo mais fácil… Faz parecer tudo possível. Faz-nos sentir capazes de enfrentar tudo e todos. E nós, só queremos ser corajosos como ele. Só queremos ser como o nosso guerreiro!
Claro que um pai, como ser humano que é, também tem as suas fragilidades e também tem os seus “dias maus”... até o Sr. Incrível tem momentos menos bons - e não existem medicamentos mágicos para estes (e ainda bem!). Sabemos que ser pai nem sempre é fácil.
Está repleto de desafios e preocupações. Um pai também tem as suas limitações, também tem as suas dificuldades. Nem sempre é fácil manter a sua postura de “Sr. Incrível”, ninguém é de ferro. Mas ser pai também passa por enfrentar os problemas e não se esquivar às suas responsabilidades. Ser pai é ser corajoso e ir à luta. Ser pai é saber pedir ajuda quando é necessário. Ser pai é saber assumir quando erra – sem ter vergonha - e pedir desculpa. Ser pai é enfrentar os desafios e ensinar os seus filhos a fazer o mesmo. Ser pai é fazer tudo o que está ao seu alcance – e, por vezes, o que não está – para garantir o bem-estar e a felicidade dos filhos. Ser pai é educar dando o exemplo, é transmitir tudo aquilo que aprendeu. E o “amor” e presença parece-nos uma boa receita para tudo isto!
Parece difícil um dia conseguirmos agradecer tudo o que o nosso pai fez por nós. Todos os agradecimentos serão poucos. Resta-nos demonstrar todo o carinho e amor que temos por eles e mostrar-lhes todo o nosso respeito. Obrigada pai! Obrigada a todos os pais presentes que todos os dias lutam pelos seus filhos, que todos os dias dão o melhor de si.
“Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa.” (Cury, 2014)
O pai é uma figura essencial. O pai é o nosso exemplo a seguir, o nosso ídolo, o nosso modelo. É o nosso Sr. Incrível.
E hoje é dia de celebrarmos o dia do nosso herói!
Arraes, M. (2013). Porque você precisa de um pai: O que acontece quando a figura paterna é fraca ou ausente. Como tratar as consequências dessa falta. Canção Nova
Benczik, E. B. P. (2011). A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Revista Psicopedagogia, 28(85), 67-75.
Cury, A. (2012). Treinar as emoções para ser feliz. Lua de Papel
Sousa, A. (2012). Problemas da Família e da Criança. Almedina
Urra, J. (2016). O pequeno ditador - da criança mimada ao adolescente agressivo. Lisboa: A Esfera dos Livros.
O meu filho não aprende a ler… e agora?
Depois da euforia, do entusiasmo, da agitação e ajustes que marcam a entrada no Jardim de Infância ou na Escola, começamos frequentemente a perguntar-nos: “Está tudo a correr bem?”. Uma das coisas...
Depois da euforia, do entusiasmo, da agitação e ajustes que marcam a entrada no Jardim de Infância ou na Escola, começamos frequentemente a perguntar-nos: “Está tudo a correr bem?”. Uma das coisas mais importantes para esta adaptação é, sem dúvida, a linguagem. É através dela que as crianças explicam as suas vontades, socializam com as outras crianças e adquirem conhecimentos cada vez mais complexos. Às vezes, damos por nós a perguntar-nos relativamente a algumas diferenças na fala dos nossos filhos, comparativamente com outras crianças com idades similares.
Como pais/educadores, podemos não estar sensibilizados para as alterações na linguagem porque não conhecemos as etapas normais do desenvolvimento ou porque, como convivemos diariamente com as crianças, já estamos familiarizados com a sua forma de comunicar e nem nos apercebemos dessas alterações. Muitas vezes só nos apercebemos destas dificuldades quando os nossos filhos entram para a escola primária e não conseguem acompanhar ou adquirir as competências necessárias para o sucesso escolar. Infelizmente, cada vez mais se verifica a existência de crianças com problemas no desenvolvimento da linguagem, que apenas são percebidas quando entram para a escola. As crianças com alterações de comunicação (ex. dificuldades de interação com os outros), alterações na linguagem (ex. “mim quer isto”) e da fala (ex. em vez de prato “pato”), apresentam dificuldades no domínio da aprendizagem da leitura e escrita. A leitura e a escrita são a base de todas as aprendizagens e são essenciais para nos integrarmos na sociedade. Estas dificuldades, a curto e a longo prazo, não só prejudicam o desempenho escolar como também implicam consequências negativas a nível emocional, pessoal e social (ex. baixa autoestima, desmotivação, agressividade, entre outros).
O desenvolvimento da capacidade da criança para manipular as sílabas e os sons das palavras (consciência fonológica) deve ser trabalhado e estimulado antes da entrada no primeiro ciclo, por exemplo através de rimas, identificação do som inicial, divisão silábica/frásica e manipulação silábica. É importante que os pais e educadores saibam estimular estas competências necessárias para a leitura e escrita de uma forma lúdica.
Se a criança já estiver familiarizada com estas noções antes de entrar no primeiro ciclo estão criados os alicerces para uma melhor aprendizagem da leitura e da escrita.
Então, o que acontece na aprendizagem da leitura e da escrita?
Esta aprendizagem envolve processos que exigem níveis de linguagem mais complexos. A leitura consiste na capacidade da criança descodificar letras em sons. Por sua vez, na escrita acontece o processo contrário, a criança deve codificar sons em letras. Para isso, é necessário que a criança tenha a capacidade de identificar, reconhecer e detetar os sons da fala (base fonológica) ajustada e bem desenvolvida, de forma a conseguir associar sons a letras e vice-versa. Caso isto não aconteça, é possível encontrar erros na escrita como, trocas de sons (ex.: chirafa em vez de girafa), omissão de sílabas (ex.: biscleta em vez de bicicleta); e adição de sons (ex.: pelanta em vez de planta). Sempre que existem dificuldades no reconhecimento dos sons (fonológicas), a criança manifesta dificuldades na leitura e na escrita.
Embora para um leitor adulto, a leitura pareça uma tarefa simples e automática, esta envolve uma série de processos de compreensão, estratégias e competências bastante complexas.
O que acontece se não tratarmos estas dificuldades?
Se estes obstáculos não forem ultrapassados primeiramente, pode apresentar insucessos em todas as áreas de ensino, não estando este insucesso relacionado com dificuldades de aprendizagem em geral. Consequentemente, ocorre a falta de motivação na escola, uma vez que a leitura e a escrita são essenciais para todas as tarefas da sala de aula, inclusive na matemática (ex., na resolução dos problemas. Se a criança não conseguir compreender o que lhe é pedido no enunciado, não vai conseguir resolver o problema em questão). Posteriormente, e decorrente destas condicionantes, surgem problemas emocionais que afetam a autoestima e bem-estar da criança (ex. recusa em ir para a escola, birras perante as tarefas mais difíceis, dificuldades de interação com os colegas, entre outros).
Quais os sinais de alerta a ter em conta?
Apesar de cada criança apresentar o seu ritmo de aprendizagem, é importantíssimo detetar antecipadamente os atrasos e alterações na fala. E sim, a Terapia da Fala pode intervir desde cedo no desenvolvimento linguístico do seu filho! Como tal, é importante, como pais, cuidadores e educadores, estarmos conscientes do que é, ou não, considerado um desenvolvimento normal ao nível da comunicação, linguagem e fala, e para os possíveis sinais de risco (até aos 5 anos):
•Não diz alguns sons ou troca-os nas palavras;
•Não diz uma frase completa;
•Tem dificuldades em compreender pedidos/recados;
•Não compreende o que lhe é dito;
•O seu discurso é pouco organizado, sendo só compreendido pelos pais;
•Não articula corretamente todos os sons (5 anos);
•Tem dificuldades em contar acontecimentos do seu dia-a-dia;
•Não aprende músicas nem lenga-lengas;
•Tem dificuldades de aprendizagem;
•Tem dificuldade em associar o som à letra correspondente e vice-versa;
•Não realiza, sem ajuda, as tarefas propostas;
•Não faz perguntas do tipo: Porquê? Como? Onde? Quando?;
•Não produz frases complexas (ex: O João queria comprar uma bola mas a bola é muito cara.);
•Tem dificuldades em manter um tema de conversa e/ou contar uma história ou um acontecimento.
Esteja, por isso, particularmente atento aos sinais de alerta que lhe indicamos e, caso reveja o seu filho nestes sinais não, hesite e faça o rastreio!
Referências bibliográficas:
Rigolet, Sylviane (1998). Para uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. 1ª Edição. Porto Editora.
Rigolet, Sylviane (2000). Os Três P – Precoce, Progressivo, Positivo. 1ª Edição. Porto Editora.
Sim – Sim, Inês (1998). Desenvolvimento da Linguagem. Universidade Aberta.